Empresas do Simples Nacional também serão afetadas pela Reforma Tributária?

Muitos empresários acreditam que a Reforma Tributária não afetará quem está enquadrado no Simples Nacional. Porém, essa ideia não está totalmente correta.
Embora o regime do Simples Nacional continue existindo, diversas mudanças irão impactar diretamente essas empresas, especialmente nas operações com clientes, fornecedores, créditos tributários e emissão de documentos fiscais.
Neste artigo explicamos o que realmente muda e como sua empresa pode se preparar.
O Simples Nacional vai acabar?
Não.
Uma das maiores dúvidas dos empresários é se o Simples Nacional será extinto.
A resposta é não.
A Constituição Federal continua garantindo tratamento diferenciado para microempresas e empresas de pequeno porte.
Portanto, o Simples Nacional permanece existindo após a Reforma Tributária.
Então por que o Simples será afetado?
Porque a Reforma Tributária altera completamente a tributação sobre o consumo no Brasil.
Diversos tributos atuais serão substituídos por:
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços)
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços)
- Imposto Seletivo (IS)
Mesmo permanecendo no Simples, as empresas passarão a conviver com esse novo sistema tributário.
Principais impactos para empresas do Simples Nacional
1. Clientes poderão analisar o crédito tributário
Hoje muitas empresas escolhem fornecedores considerando apenas o preço.
Com a Reforma Tributária, clientes do Lucro Real e Lucro Presumido passarão a avaliar também o crédito de IBS e CBS que poderão aproveitar.
Isso pode influenciar diretamente a competitividade das empresas do Simples Nacional.
2. Novos documentos fiscais
A Nota Fiscal Eletrônica será adaptada.
Novos campos deverão ser informados, como:
- CST IBS/CBS
- cClassTrib
- NBS
- cBenef
- informações de IBS e CBS
Mesmo empresas do Simples precisarão preencher corretamente essas informações.
3. Mudanças nos sistemas de gestão
Softwares fiscais, ERPs e emissores de notas precisarão ser atualizados.
Empresas que utilizam sistemas antigos poderão enfrentar dificuldades para atender às novas exigências.
4. Mudanças na precificação
Como o novo modelo modifica a forma de tributação, será importante revisar:
- margem de lucro;
- formação de preços;
- contratos;
- negociação com clientes.
5. Fornecedores também mudarão
Os fornecedores da empresa também estarão sujeitos às novas regras.
Isso poderá alterar:
- preços;
- créditos;
- custos;
- cadeia de suprimentos.
O Simples Nacional poderá optar pelo recolhimento de IBS e CBS por fora?
Sim.
A legislação prevê que as empresas optantes pelo Simples poderão escolher entre dois modelos, dependendo da regulamentação definitiva e das regras aplicáveis:
Modelo tradicional
Continua recolhendo os tributos dentro do DAS.
Modelo híbrido
Recolhe IBS e CBS fora do DAS, permitindo maior aproveitamento de créditos pelos clientes.
Essa decisão deverá ser cuidadosamente analisada junto ao contador.
Quando as mudanças começam?
A implantação ocorrerá de forma gradual.
2026
Período de testes.
2027
Início da CBS.
2029 a 2032
Transição gradual do IBS.
2033
Novo sistema passa a funcionar integralmente.
Como as pequenas empresas podem se preparar?
Algumas medidas já podem ser adotadas:
- atualizar o cadastro de produtos e serviços;
- revisar o enquadramento tributário;
- manter o sistema fiscal atualizado;
- acompanhar as mudanças na emissão das notas fiscais;
- conversar com seu contador para avaliar o melhor modelo de tributação.
Quem começar a preparação agora terá muito menos dificuldades durante a transição.
Perguntas Frequentes
O Simples Nacional vai acabar?
Não.
Vou pagar mais impostos?
Depende da atividade da empresa e da forma como será feita a tributação durante a transição.
Precisarei trocar meu sistema?
Na maioria dos casos, sim. Os sistemas deverão ser adaptados para atender às novas exigências fiscais.
Empresas do Simples terão IBS e CBS?
Sim. As empresas estarão inseridas no novo ambiente tributário, embora existam regras específicas para esse regime.
Vale a pena continuar no Simples?
Depende.
Com a Reforma Tributária, será ainda mais importante realizar um planejamento tributário para verificar qual regime é economicamente mais vantajoso.
Conclusão
O Simples Nacional continuará existindo, mas isso não significa que as empresas ficarão imunes à Reforma Tributária.
As novas regras afetarão documentos fiscais, sistemas, créditos tributários, relacionamento com clientes e fornecedores e, em muitos casos, até a estratégia de precificação.
Por isso, o melhor caminho é acompanhar as mudanças desde agora e contar com o apoio de uma assessoria contábil especializada.
Precisa de ajuda para preparar sua empresa?
A Gemp Assessoria Contábil acompanha diariamente a regulamentação da Reforma Tributária e auxilia empresas na adaptação às novas regras.
Nossa equipe está preparada para orientar sua empresa sobre o impacto da Reforma Tributária, revisar seu planejamento tributário e garantir uma transição segura para o novo sistema fiscal.